segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

O gerbilo


Um dia, quando estava em casa do seu avô, João ouviu um ruído estranho na sala. Curioso, espreitou e qual não foi o seu espanto quando viu, em cima do tapete, um pequeno ser roxo com umas orelhas pontiagudas, semelhante a um gerbilo. Assim que o viu, o pequeno ser assustou-se e, empurrando uma pedra da lareira, fez surgir uma abertura por onde se escapuliu. João não perdeu tempo e seguiu-o.
Foi dar com o monstro a comer latão numa fábrica de papel e pensou logo que o monstro não era inteligente, mas era deficiente. Voltou para casa e foi dormir.
No dia seguinte, ele voltou a aparecer, a comer latão, estava maldisposto, foi o que ele pensou. Mas, no dia a seguir, voltou a acontecer o mesmo e João perguntou-lhe:
-O que fazes aqui?
Ao contrário do que João pensava, o monstro respondeu-lhe e disse que estava a procura de material para construir um foguetão e voltar para o seu planeta.
-Mas porque é que tu comes latão?-perguntou-lhe o João.
 -Isso é por que não há comida como no meu planeta, por isso tive de improvisar e o latão foi a coisa mais parecida com a comida que costumo comer.
-Mas afinal qual é o teu planeta?- perguntou-lhe o João.
-O meu planeta é a Ratolândia.
         João decidiu, então, ajudar o pequeno monstro que parecia estar tão perdido
por não estar no seu planeta.
         Todos os dias o seguia por uma passagem que ele lhe mostrou, ajudava-o a trazer latão para ele se alimentar e, depois de alguma pesquisa na internet, o João encontrou algumas peças que estavam na fábrica e que poderiam produzir uma mini réplica de um foguetão que não seria detetado pela NASA nem por qualquer serviço de satélites espaciais. Em algumas semanas, consegui construir todo o mini foguetão, mas faltava o mais importante de tudo, aquele mini reator a laser que conseguia fazer levantar todo o Empire State Building sem ruir.
         Depois de mais algumas pesquisas, decidiu ir a um supermercado onde vendiam produtos e equipamentos perigosos, roubou vários materiais e montou o seu próprio foguetão.
         O ser roxo conseguiu ir para o seu planeta e o João, todos os dias, pensa nas semanas em que teve um ser roxo como amigo.

Jorge Gabriel


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