Certo dia, em
tempos que já lá vão, tinha eu 10 anos, estava num jardim a olhar para aquelas
lindas flores da primavera, quando de repente apareceu ao meu lado um pequeno cachorro
com pelo preto e castanho claro.
Quando
o vi, fiquei destroçado, olhando para a sua cara de tristeza e dor como se pedisse
ajuda. Na verdade era isso que o pobre cachorrinho queria, pois tinha a sua
pata a sangrar.
Foi,
então, que lhe peguei com cuidado e o levei comigo para casa sem pensar na reação
dos meus pais.
Quando cheguei
a casa. Não estava nem pai, nem mãe, por isso subi as escadas ruidosas até ao
meu quarto, onde coloquei o cachorrinho sobre uma manta que estava em cima da
cama.
Comecei
por ir buscar ligaduras, remédios, tratei-lhe da pata e fiz-lhe umas carícias. Sentindo-se
amado, deitou a cabeça sobre a manta e adormeceu.
Mais
tarde, estava eu a ver televisão, quando chegaram os meus pais. Não me lembrando
do cachorrinho, continuei a ver televisão enquanto os meus pais falavam entre
si. De repente, ouvi um barulho de alegria junto dos meus pés.
Fiquei
contente quando olhei para baixo e vi o animal com uma carinha de felicidade. A
minha alegria durou pouco tempo, porque os meus pais apareceram.
Ficaram
tão irritados comigo que nem me perguntaram o que tinha acontecido com o animal
para estar ali. Só queriam metê-lo na rua sem pensar em nada
Quando
o meu pai o agarrou para o levar a rua, o cachorro levantou as patinhas pedindo
colo. Ao encostá-lo a si deitou a sua cabeça ao peito do meu pai.
Foi aí que
tudo se resolveu, pois o meu pai ficou encantado com a sua humildade de cão.
Esta memória tem-me
acompanhado ao longo da minha vida. Com este cachorrinho os meus pais começaram
a dar mais valor aos animais principalmente aos que são abandonados.
Ana Cristina
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