quinta-feira, 5 de junho de 2014

Memória de infância.

                                          

Certo dia, em tempos que já lá vão, tinha eu 10 anos, estava num jardim a olhar para aquelas lindas flores da primavera, quando de repente apareceu ao meu lado um pequeno cachorro com pelo preto e castanho claro.
            Quando o vi, fiquei destroçado, olhando para a sua cara de tristeza e dor como se pedisse ajuda. Na verdade era isso que o pobre cachorrinho queria, pois tinha a sua pata a sangrar.
            Foi, então, que lhe peguei com cuidado e o levei comigo para casa sem pensar na reação dos meus pais.
Quando cheguei a casa. Não estava nem pai, nem mãe, por isso subi as escadas ruidosas até ao meu quarto, onde coloquei o cachorrinho sobre uma manta que estava em cima da cama.
            Comecei por ir buscar ligaduras, remédios, tratei-lhe da pata e fiz-lhe umas carícias. Sentindo-se amado, deitou a cabeça sobre a manta e adormeceu.
            Mais tarde, estava eu a ver televisão, quando chegaram os meus pais. Não me lembrando do cachorrinho, continuei a ver televisão enquanto os meus pais falavam entre si. De repente, ouvi um barulho de alegria junto dos meus pés.
            Fiquei contente quando olhei para baixo e vi o animal com uma carinha de felicidade. A minha alegria durou pouco tempo, porque os meus pais apareceram.
            Ficaram tão irritados comigo que nem me perguntaram o que tinha acontecido com o animal para estar ali. Só queriam metê-lo na rua sem pensar em nada
            Quando o meu pai o agarrou para o levar a rua, o cachorro levantou as patinhas pedindo colo. Ao encostá-lo a si deitou a sua cabeça ao peito do meu pai.
Foi aí que tudo se resolveu, pois o meu pai ficou encantado com a sua humildade de cão.

Esta memória tem-me acompanhado ao longo da minha vida. Com este cachorrinho os meus pais começaram a dar mais valor aos animais principalmente aos que são abandonados.

Ana Cristina

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