quarta-feira, 18 de junho de 2014

O caldo de pedra


O caldo de pedra 

Ato 1
Cena 1


(Um frade andava no peditório, vestia um hábito castanho remendado. Para junto a uma casa.)

Frade - (Batendo à porta) - Está aí alguém! Estou cheio de fome, pode dar-me alguma coisa para comer?
Lavrador – Não tenho nada para te dar, vai-te embora!
Frade – (Á parte, pegando uma pedra) – Vou ver se faço um caldinho de pedra. (Sacudindo-a e começando a olha para ela a ver se era boa ou não para fazer um caldo de pedra).
Frade – (Dirigindo-se para as pessoas da casa) – Alguma vez comeram caldo da pedra?
Lavrador – Não, e então?!
Frade – Só lhe digo que é muito boa!
Lavrador - Sempre quer ver isso!
Frade – (Depois de ter lavado a pedra) – Podem emprestar- me um pucarinho?
Lavrador – (erguendo uma panela de barro) – Toma lá esta!
Frade – (pondo a água e metendo a pedra) - Posso pôr a panela aí ao pé das brasas?
Lavrador – Claro!
Frade – Pode emprestar -me uma pedra de sal, um olhinho de couve e um niquinho de chouriço?
(Enquanto o caldo cozia, tirou do alforge pão e arranjou-se para comer)
Frade – Que delicioso!
Lavrador – Ó Sr. Frade, e a pedra?
Frade – A pedra lavo-a e levo-a comigo para outra vez.
Marco Navega
Ana Raquel

quinta-feira, 5 de junho de 2014

Memória de infância.

                                          

Certo dia, em tempos que já lá vão, tinha eu 10 anos, estava num jardim a olhar para aquelas lindas flores da primavera, quando de repente apareceu ao meu lado um pequeno cachorro com pelo preto e castanho claro.
            Quando o vi, fiquei destroçado, olhando para a sua cara de tristeza e dor como se pedisse ajuda. Na verdade era isso que o pobre cachorrinho queria, pois tinha a sua pata a sangrar.
            Foi, então, que lhe peguei com cuidado e o levei comigo para casa sem pensar na reação dos meus pais.
Quando cheguei a casa. Não estava nem pai, nem mãe, por isso subi as escadas ruidosas até ao meu quarto, onde coloquei o cachorrinho sobre uma manta que estava em cima da cama.
            Comecei por ir buscar ligaduras, remédios, tratei-lhe da pata e fiz-lhe umas carícias. Sentindo-se amado, deitou a cabeça sobre a manta e adormeceu.
            Mais tarde, estava eu a ver televisão, quando chegaram os meus pais. Não me lembrando do cachorrinho, continuei a ver televisão enquanto os meus pais falavam entre si. De repente, ouvi um barulho de alegria junto dos meus pés.
            Fiquei contente quando olhei para baixo e vi o animal com uma carinha de felicidade. A minha alegria durou pouco tempo, porque os meus pais apareceram.
            Ficaram tão irritados comigo que nem me perguntaram o que tinha acontecido com o animal para estar ali. Só queriam metê-lo na rua sem pensar em nada
            Quando o meu pai o agarrou para o levar a rua, o cachorro levantou as patinhas pedindo colo. Ao encostá-lo a si deitou a sua cabeça ao peito do meu pai.
Foi aí que tudo se resolveu, pois o meu pai ficou encantado com a sua humildade de cão.

Esta memória tem-me acompanhado ao longo da minha vida. Com este cachorrinho os meus pais começaram a dar mais valor aos animais principalmente aos que são abandonados.

Ana Cristina